Mama África, o berço da civilização

Postado em - 6 de maio de 2019 - 22:01 - Sem Comentários

 

 

 

 

MAMA ÁFRICA, O BERÇO DA CIVILIZAÇÃO

 

Por Carlos Braz

 

Para a grande maioria da população brasileira o continente africano ainda é uma terra desconhecida. Falar da África nos remete de imediato ao flagelo da escravidão, aqui implantada em meados de 1530 pelo colonizador português, perdurando até o dia 13 de maio de 1888, data em que a princesa Isabel assinou a Lei Áurea extinguindo o cativeiro no Brasil.

Porém, a história do continente não se resume ao degradante tráfico humano conhecido como a diáspora africana.  Outros eventos de grande importância histórica também ali ocorreram, contudo, foram escamoteados pela tradição etnocêntrica europeia, que considerava como bárbaro qualquer povo com costumes diferentes dos seus.

Foi na África entre 200.000 a 150.000 anos a.C. que surgiram os primeiros seres humanos anatomicamente modernos, tal como os concebemos hoje, os Homo Sapiens, bem como foi descoberta a mais antiga ferramenta de pedra que se tem notícia, uma faca de aproximadamente 2.600.000 anos de idade.

Nessa terra de florestas e desertos estabeleceu-se às margens do Rio Nilo a milenar civilização egípcia, comumente lembrada pela grandiosidade dos faraós e suas pirâmides. Na vasta extensão de terras habitadas por homens negros, existiram diversos reinos. Mali, Congo, Benim, entre tantos outros, eram conhecedores de tecnologias desconhecidas do europeu. Muitas delas foram utilizadas pelos portugueses aqui no Brasil, no âmbito da agricultura e mineração.

No campo do sagrado os povos africanos desenvolveram várias crenças, muitas delas distintas entre si. Do Egito Antigo à contemporaneidade a religiosidade construiu seus mitos. Hoje, aos cultos tribais somaram-se os católicos, evangélicos, islâmicos e centenas de outras religiões, que ao lado de dialetos e línguas estrangeiras transformaram o continente em um intrincado mosaico cultural.

Evidentemente não é essa visão que a história nos passou. Os filmes épicos produzidos em Hollywood (Cleópatra, Os dez mandamentos, Ben Hur etc.) contribuíram muito para criar uma falsa ideia a respeito do modo de vida e da origem étnica do povo egípcio, quase sempre mostrando-o com feições que não condizem com as milhares de figuras gravads nos templos e túmulos desenterrados pelos arqueólogos através dos tempos.

Ainda hoje os órgãos midiáticos divulgam com mais ênfase o lado subdesenvolvido da África em detrimento à sua diversidade cultural e modernidade presente em muitas cidades.

O continente africano possui uma área de cerca de 30.000.000 milhões de quilômetros quadrados, dos quais, 9.000.000 são ocupados pelo deserto de Saara. É formado por 53 países com uma população em torno de 950.000.000 de habitantes. Tem em seu entorno dois oceanos e o Mar Mediterrâneo.

Os milhares de africanos que aqui viveram como escravos deixaram-nos como legado uma herança indelével, tão incrustada em nosso cotidiano que nem a percebemos. Está presente na culinária, nos cultos de matriz africana, no nosso vocabulário, em nossos folguedos e em nossa tez tão decantada em prosa e verso.

Curiosamente, milhares de afro-brasileiros retornaram à pátria mãe desde o ato régio de 13 de maio de 1888. Lá foram recebidos como estrangeiros e passaram por um processo de readaptação aos costumes locais.

Carlos Braz Carlos Braz – Carlos Braz é sergipano, natural de Aracaju. Tem 61 anos ,é Bacharel em Museologia, formado pela UFS, e acadêmico de Licenciatura em História também na UFS. É membro da Associação Sergipana de Imprensa (ASI), já publicou artigos e contos no semanário Cinform, e foi autor dos projetos expositivos " Cangaço: por dentro do emborná e na ponta do punhá" (Museu Histórico de Sergipe), "Folguedos de Sergipe: conhecer, valorizar e preservar" (Museu Histórico de Sergipe e Museu Afrobrasileiro de Sergipe), "Moedas e cédulas brasileiras: a história na palma da mão"(Museu Histórico de Sergipe)," Vida e obra de Luiz Antonio Barreto" (Palácio Museu Olímpio Campos), e mentor do projeto Afrodescendencia e cidadania.
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