Saudação ao Engenheiro Agrônomo do Ano do Estado de Sergipe

Postado em - 26 de dezembro de 2018 - 10:07 - Sem Comentários

Saudação ao Engenheiro Agrônomo do Ano do Estado de SergipeEdimilson Machado de Almeida

Meus Senhores e Minhas Senhoras.

Inicio essa oração, circunflexo aos deuses, a quem rogo o perdão do pecado da arrogância, por não se tratar de uma tarefa difícil, saudar o Engenheiro Agrônomo Edimilson Machado de Almeida como o “Engenheiro Agrônomo do Ano”. Uma distinção dos seus colegas engenheiros agrônomos do Estado de Sergipe. O faço com alegria, contentamento e orgulho. Um momento emocionante da minha vida pessoal e profissional.  Acolho essa missão, como uma distinção dos meus pares e assumo a suspeição.

 

A atualidade clama por reconhecimento e louvação aos homens e mulheres de bem, honestos e entusiasmados com os afazeres da vida. Quiçá, seja essa, uma das tarefas mais simples em que fui exposto nesses quarenta e um anos ininterruptos do exercício profissional da agronomia, nas suas distintas quadras: de tranquilidade e “ranger de dentes”.

 

Primeiro, por minha pequenez perante o homenageado. O homenageado sou eu, e não ele. Sinto-me menor perante os feitos do ilustre colega. Não existe nenhuma comparação, perante as realizações Na sua longa e vitoriosa carreira profissional. O mais sábio dos registros vem do tempo, na sua inexorabilidade metodológica e impossibilidade da sua negação. A história o absolveu.

Segundo, as evidências das realizações, reconhecidas por inteiro, no seu querido Estado de Sergipe. Elas ultrapassaram a linha divisória da sua geografia, e foram além do rio Sergipe, e do Oceano de águas morenas. Embora sujeitas às múltiplas intempéries, estão escritas em rochas nos anais do tempo. Nem a seca, nem o sol ardente e nem as trovoadas e relâmpagos, conseguiram apagar os substantivos feitos. Alguns deles são intangíveis, pois são atitudes e coragem; valores daqueles que não se acovardam perante as armadilhas do poder e do corporativismo conservador. Sinto-me, como o mais modesto dos plebeus em aceitar essa tarefa, e proferir essa oração nessa solene data – o Dia do Engenheiro Agrônomo -, perante essa qualificada Assembleia e a grandeza do engenheiro agrônomo Edimilson Machado de Almeida. Um ser de fé, de luta, e esperança. Como escreveu um dos seus mais próximos colegas, Raimundo Ávila: “há de se fazer destaque ao incansável dinamismo e operosidade do colega Edimilson Machado. Obstinado agregador de talentos, operoso na condução de soluções e incansável lutador por uma agronomia pujante”.

 

Terceiro não somos colegas de turma, embora oriundos da centenária e primeira Escola de Agronomia do Brasil, criada pela sabedoria do Imperador D. Pedro II, nas terras do recôncavo baiano, solo fértil de talentos como o engenheiro agrônomo Renato Martins, criador do Instituto Agrônomo do Leste – IAL, a seguir Instituto de Pesquisa Agropecuária do Leste – IPEAL, a “célula-mater.” da atual Embrapa Tabuleiros Costeiros; de brilhantes engenheiros agrônomos sergipanos lá formados, muitos aqui presentes; e dos geniais artistas Caetano Veloso e Maria Betânia -, estes além da agronomia. Também não somos de uma mesma geração. Somos, sim, colegas engenheiros agrônomos, “embrapianos”, amigos, e profissionais com a responsabilidade perante a sociedade de produzir alimentos. Quem produz comida, produz paz. Isso não é pouco, numa constelação de valores estrelados pelas luzes das convergências em crenças como a coragem, a dignidade, e a perseverança no progresso e nas realizações coletivas. Como disse o poeta Vinicius de Moraes, “a vida é arte do encontro, embora haja tantos desencontros na vida”.

 

A Associação dos Engenheiros Agrônomos de Sergipe – AEASE faz justiça ao distinguir o Engenheiro Agrônomo Edimilson Machado. Acertou no tempo, pois as valorações qualitativas não seguem a mesma lógica de uma equação linear. Elas expressam a verdade, no calendário do seu próprio legado. Ele nasceu engenheiro agrônomo há oitenta anos, na ruralidade da querida Lagarto, Sergipe numa época em que a sociedade era rural, oposto da atualidade, – uma sociedade urbana. Um dilema que ainda esconde a complexidade dos papeis do engenheiro agrônomo. A sua vocação pela agronomia brotou desde a infância: como sempre convivi no campo com meu pai, resolvi fazer agronomia. Não fiz medicina porque tinha horror a sangue e a um frasco de éter aberto. Dava vertigem e caía”. Aprovado em 1958, no seletivo exame do vestibular da Escola Agronômica da Universidade Federal da Bahia em Cruz das Almas, Bahia, em primeiro lugar. A entrada que ocorreu com louvor e destaque, nunca mais, o abandonou, no percurso de uma longa e virtuosa carreira profissional.

 

Concluiu o curso de engenharia agronômica em 1961, após quatro anos de exigentes testes ditados pelos rigorosos eméritos catedráticos da época. Foi convidado para o então IPEAL, com atuação nos Estados da Bahia e Sergipe. Era a oportunidade que aguardava para desabrochar os talentos. “A inspiração vem de outros, mas a motivação vem de dentro de nós. Não foi sorte, mas luta, pois sem o entusiasmo, não existe a vitória”.  Não descansou desde então, por quase quatro décadas de labuta com os desafios da agronomia, ainda é um produtor rural.

 

Um currículo exemplar como gestor público. Iniciou chefiando a Estação Experimental do IPEAL em Sergipe – a conhecida Sementeira -, onde dinamizou a programação de pesquisa com a cultura do coqueiro e coordenou outras três Estações Experimentais: Quissamã, Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora da Glória; ampliando a programação de pesquisa com as culturas da mandioca, cana de açúcar e pecuária: nutrição animal e pastagens.

No governo do Dr. Paulo Barreto, de 1971 a 1975, assumiu a pasta da Secretaria da Agricultura; a qual retornou nos governos de Dr. João Alves Filho de 1983 a 1987 e 1991 a 1995. Durante esses períodos executou diversas atividades em prol do desenvolvimento da agropecuária sergipana, a exemplo de projetos inovadores de colonização – aquisição de terras e assentamento rural -; apoio ao cooperativismo; produção de sementes de milho; mudas frutíferas; algaroba; leucena e sabiá. Fomentou a caprino-ovinocultura. Fortaleceu a extensão rural e a comercialização de insumos. Implantou o programa de regularização fundiária. Apoiou a pecuária seletiva. Promoveu a citricultura e criou a Estação Experimenta de Boquim. Implantou o serviço de extensão rural nos perímetros irrigados de Ribeira; Jacarecica 1 e 2 em Itabaiana; Piauí em Lagarto; Jabeberi em Tobias Barreto; e os inovadores perímetros irrigados do Platô de Neópolis e Califórnia em Canindé de São Francisco. Ainda no seu querido Estado de Sergipe, exerceu outros cargos relevantes, como o de representante da Embrapa que permitiu estruturar a pesquisa estadual através da Uepae de Quissamã. Foi Diretor Regional da Codevasf onde desenvolveu o expressivo trabalho de recuperação das várzeas e o incremento das atividades com arroz e piscicultura.

As suas contribuições ultrapassaram o seu estado natal. No plano federal exerceu as funções de Secretário Geral Adjunto do Ministério do Interior. O Engenheiro Agrônomo Edimilson Machado de Almeida, como disse um dos seus companheiros de trabalho, Luiz Alberto Siqueira: “sempre se preocupou com a especialização de seus colaboradores, criando incentivos para treinamentos e melhoria salarial, a exemplo do beneficio da interiorização”. Atento ao desenvolvimento da agropecuária do seu Estado buscou várias parcerias com a Embrapa, Sudene, Bnb, BB, Fao, Bird, Bid, Abcz, entre outras, e realizou viagens ao exterior para prospectar recursos e inovação para o fortalecimento da agropecuária sergipana.

Concluo, mais uma vez parabenizando o colega, o amigo e o engenheiro agrônomo Edimilson Machado de Almeida pela merecida homenagem, anteriormente outorgada por mais de duas dezenas de organizações públicas e privadas. Poucos preenchem por inteiro, os requisitos dessa honraria, rigorosamente avaliada pela digna comissão de colegas da Aease. Parabéns pela justa distinção. Desculpe-me, não foi uma decisão difícil. Edimilson Machado é ímpar. Aos colegas competidores, sintam-se honrados, foi uma desigual competição. Os registros dos feitos aqui resumidamente relatados torna esse merecimento incontestável. Esse chão que ora nos abriga, de algum modo, tem as marcas das suas digitais. A vitória enterra as circunstâncias e os ressentimentos. O passado se foi e o futuro chegou. “Não se pode mudar o ontem, mas pode transformar o amanhã”. Muito obrigado. Engenheiro Agrônomo Manoel Moacir Costa Macêdo. Aracaju, 13 de outubro de 2017.

Deixe seu comentário!

Para: Saudação ao Engenheiro Agrônomo do Ano do Estado de Sergipe


Siga-nos!