Renovação da Política

Postado em - 2 de janeiro de 2019 - 11:12 - 1 Comentário
Renovação da Política

Imagem: Reprodução

Manoel Moacir Costa Macêdo, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra.

 

Tempo de corrupção na política. Poderes em descrença. Lideranças partidárias encarceradas. Partidos políticos desacreditados. A democracia representativa em desconfiança. Governantes sob suspeições. Saudosistas ingênuos vomitam soluções fáceis para problemas complexos. Gerações contemporâneas viciadas nas mídias e distantes dos próximos berram por privilégios e consumo. Uma quadra que desconhece o tempo de chumbo e o conservadorismo dos costumes. Extratos urbanos pressionam por mudanças, que parecem retrocessos. Predadores em formas renovadas de patrimonialismo.

 

Nessa atmosfera, recrudesce o ódio, a intolerância, e a desconfiança nos valores civilizatórios. A Guerra Fria revistada em novos contextos A brutalidade reaparece em perigosas roupagens. Complexidade jamais experimentada na história contemporânea pátria. Reluzem os salvadores da pátria; os donos absolutos da verdade; e os experientes de realidades repetidas de um passado polarizado. Reaparecem com vigor os descrentes da política como um modo de convivência social; de superar dificuldades; de gerenciar conflitos; de propor soluções para os problemas do viver; de analisar o passado; e pensar o futuro. Escarram retrocessos de mudança social numa economia internacional do trabalho globalizada e iluminada pela inovação tecnológica. Algozes do apocalipse; e apologistas do fracasso procuram ouvidos reacionários. Caudilhos reproduzidos pela desigualdade, desprovidos de esperanças e descrentes nas simetrias. Vozes do atraso, alimentadas pelo persistente patrimonialismo. Verdades limitadas aos arranjos conservadores e clientelistas da prática na política. Modos arcaicos de reprodução da pobreza, da miséria, da corrupção, e da persistente da desigualdade. Diagnóstico pronto e acabado de incômodos e restrições ímpares da nossa história.

 

Nessas contingências, não é incomum ver, ouvir e reproduzir nas formas e meios poderosos de expressões: “não tem saída e retorno à ditadura militar”. Propõe calar as vozes populares; cassar os movimentos sociais; suspender o direito de votar e ser votado”; castrar as manifestações e protestos; calar o poder judiciário; entre outras impropriedades descabidas para um tempo do iluminismo. Enfim uma expressão de vingança, ao invés de justiça. Rejeição à política como o modo apropriado de pautar as relações sociais. Gestos repugnantes de contestação aos consentidos ganhos políticos e sociais. O que fazer? Soluções advindas do senso comum profetizam: “renovação na política ou a renovação da política?”.  A solução, não quer dizer, uma simples troca de preposições formais numa mesma frase, mas uma escolha prenhe de caminhos, estratégias e rupturas. Uma profunda transformação no modo de fazer política. Partidos, candidatos, eleitores, apoiadores, todos a operar em novos contextos, fiscalizados, e sob novos clamores. Um cenário onde a ética, a história e os exemplos substituam o direito, os profissionais da política, a morosidade judicial e os mofentos regulamentos eleitorais.

 

A simplificação das respostas, podem induzir ao erro, em face da complexidade da mudança. “Renovação na política”, indica uma simples troca de atores no processo eleitoral. Pai por filho; marido por mulher; caudilho por subalterno; enfim um verniz aparente de renovação, sem efeito nas transformações radicais que a sociedade roga e espera. Outra resposta, seria a “renovação da política”. Uma ruptura do paradigma normal e em uso. Acolher os cidadãos de bem e de bons costumes como candidatos nos poderes legislativo e executivo. Partidos políticos fortes e com programas debatidos. Eleição livre de financiadores de campanha. Voto espontâneo. Fiscalização e justiça eleitoral tempestivas, repressivas e céleres. Pode parecer impossível, mas não é.

A “renovação da política” é um fenômeno mundial, inclusive, com evidências no Brasil. A eleição do Presidente dos Estados Unidos; do Presidente da França; e da Prefeita de Roma. No Brasil, ela pode ser exemplificada nos casos do Prefeito de Belo Horizonte, e de São Paulo, ambos com os discursos construídos na “renovação da política”, a exemplo “chega de político”, e “não sou político, sou gestor”. Evidências de que a forma velha de fazer política, exige muito mais do que a “renovação na política”, mas uma robusta “renovação da política”. Incertezas, dúvidas e protestos haverão de dominar a mudança de paradigma, num tempo que inexoravelmente acontecerá. Apesar de erros, avanços e recuos, ainda não foi testado um regime de governo melhor do que a democracia, lastreada na liberdade e livre escolha de representantes eleitos para decidir os destinos da sociedade e os quereres da sua polis. Sonhar e lutar, é melhor do que recuar ou desistir.

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Um Comentário até agora.

  1. Marivaldo disse:

    Muito bom o texto. Esperamos que apareça o regime de governo melhor que a democracia. No meu simples conhecimento só resta testar o anarquismo de Mikhail Bakuni!


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