Resultados da ANA – Avaliação Nacional De Alfabetização – Esboçam a fragilidade da Educação Brasileira

Postado em - 1 de novembro de 2017 - 10:38 - Sem Comentários

Resultados da ANA – Avaliação Nacional De Alfabetização - Esboçam a fragilidade da Educação Brasileira

Por Rose Mary Chagas

Os resultados da ANA divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), após avaliadas 48.860 escolas, 106.575 turmas e 2.206.625 estudantes do 3º ano do Ensino Fundamental, revelam dados estarrecedores sobre a alfabetização no Brasil. Mais de 50% dos alunos da rede pública têm níveis de leitura e Matemática considerados insuficientes e mais de um terço estão defasados quanto ao processo de escrita. Apenas 45,2% dos estudantes demonstraram níveis satisfatórios em leitura. Quando comparados aos resultados obtidos em 2014, observa-se que o desempenho dos alunos nessa etapa da escolarização está estagnado nesses dois últimos anos. Como agravante os resultados ainda apontam que um significativo número de estudantes apresenta níveis de proficiência insuficientes para a idade. Esses dados sinalizam a urgência com que o assunto deve ser tratado, embora tais resultados não se constituam de fato uma surpresa.

Em 2012 foi lançado o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), a partir dos dados do movimento Todos Pela Educação, mas de lá para cá o quadro pouco se alterou. Na realidade, os indicadores continuam apontando a necessidade de uma política educacional que possa ser um efetivo instrumento de mudança. Nesse sentido, uma política de responsabilização vinculada aos repasse, ante os resultados alcançados, poderia ser uma alternativa viável à mobilização dos gestores na busca pela concretização de um processo satisfatório de alfabetização. Convém ressaltar que a avaliação jamais deverá ter caráter reducionista. Ela deve servir não apenas como diagnóstico, mas como elemento impulsionador de mudanças! É essa percepção que se precisa ter!

É necessária e urgente uma melhoria na formação dos alfabetizadores. O que se vê, pois, é uma oferta de formação continuada para professores desvinculada da realidade escolar, uma formação que não atende aos desafios reais das escolas. É preciso um olhar mais apurado para a compreensão de uma realidade diversa, mas, contraditoriamente, única. Os resultados obtidos pelas Regiões Norte e Nordeste, por exemplo, demonstram como as desigualdades sociais se revelam no processo de alfabetização. É preciso seriedade na condução do processo educacional para que se possa ter um país mais justo e menos desigual. A ANA apontou que existem Estados, a exemplo de Sergipe, Amapá, Maranhão, Pará e Alagoas com 75% de insuficiência, contudo os ditos Estados desenvolvidos também apresentaram desempenho desejável na escrita de apenas 12%. Portanto, os dados são, deveras, assustadores e expressam uma educação pública de péssima qualidade nos Estados pobres e ruim em Estados mais abastados.

Espera-se que a Base Nacional Comum, divulgada pelo MEC, estimule e aperfeiçoe a formação dos professores alfabetizadores e que todos os segmentos envolvidos no processo de alfabetização tenham clareza da importância da alfabetização; que o currículo, a partir do estabelecimento de parâmetros claros sobre o que deve ser ensinado em cada etapa da escolarização, também possa corroborar na reversão desse quadro vergonhoso que ora se apresenta; que a nova política lançada pelo MEC para reverter a situação não seja mais um ‘tiro no pé”, porque há uma enorme distância entre os que pensam a educação nesse país e os que efetivamente pisam no chão da escola. Educação se faz com coerência, participação e comprometimento!

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