O CARROSSEL DO TOBIAS E A MAGIA DO NATAL

Postado em - 2 de dezembro de 2017 - 11:16 - 4 Comentários

 

 

 

 

 

O CARROSSEL DO TOBIAS E A MAGIA DO NATAL

 

Por Carlos Braz

 

Enfim chegou o mês de dezembro, e com ele a magia do Natal. É tempo de celebrar o nascimento daquele que com seus ensinamentos transformou o mundo, através de uma mensagem inovadora, que pregava amor e paz, em um mundo dominado pela espada romana e seus deuses mitológicos.

As palavras do nazareno, paz na terra aos homens de boa vontade, foram os pilares de uma instituição poderosíssima, a Igreja Católica Apostólica Romana, que consolidou-se através dos séculos, congregando milhões de seguidores em todo o mundo, que escolheram o dia 24 de dezembro para relembrar a histórica noite onde a estrela brilhante apontou o caminho da manjedoura.

As festas natalinas sempre foram um momento especial para o universo cristão, e aqui em Aracaju não podia ser diferente. Realizadas desde o século passado no Parque Teófilo Dantas, também conhecido como a Praça da Catedral, tinham início no dia 8 de dezembro, dia que no calendário católico é dedicado à Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade, e estendiam-se até a festa dos Santos Reis.

Ali eram armadas barracas com diversas finalidades. Para os adultos, bancas de jogos de azar, baralho e roletas, e bares que vendiam bebidas alcoólicas e tira gostos variados. Para os brincantes de folguedos ancestrais, a Chegança de Zé do Pão era imperdível. E para as crianças, um parque de diversões, com roda gigante, barquinhos, ondas, balanços, bem como espetáculos de ilusionismo, onde a bela “virava” uma fera, para delírio e pavor de tantos.

Mas a grande atração daqueles saudosos tempos, era, indiscutivelmente, o Carrossel do Tobias, construído nos Estados Unidos, composto por belos corcéis policromáticos, que puxavam carruagens, onde príncipes e princesas materializavam essa magia transformadora, que proporcionava à criançada momentos inesquecíveis e lúdicos.

Não pensem os mais novos, que Tobias era o proprietário daquela máquina girante, que a todos inebriava.  Muito pelo contrário. Esse era o nome de um negrinho de sorriso farto, construído em madeira, vestido em paletó branco, fixado ao centro da estrutura, que mexia incansavelmente o pescoço e o braço, que acionava um apito estridente, como a saudar a todos por estarem ali, brancos, pretos, pobres ou ricos em alegre folia.

Andar no Carrossel do Tobias era o suprassumo daquelas tardes e noites memoráveis, era o sonho de toda criança daqueles tempos, e a felicidade presente naqueles espíritos pueris, era externada em sorrisos genuínos, que ao brotar dos lábios, compensava os pais pela espera nas longas filas para ter acesso à máquina dos sonhos.

O dono do carrossel era o vereador por Aracaju Milton Santos, eleito por 8 magistraturas consecutivas, homem temente a Deus, caridoso, exemplo de chefe de família e político interessado no bem-estar da coletividade. Sua índole generosa manifestava-se através da distribuição de milhares de cortesias para que os mais carentes pudessem usufruir naqueles dias dourados dos equipamentos de sua propriedade instalados na praça, e em qualquer ouro lugar em que houvesse festa.

A fama do carrossel atravessou fronteiras, levando-o à Salvador, onde foi instalado por um curto período no antigo estádio da Fonte Nova, para alegria dos milhares de crianças soteropolitanas.

Também foi cenário, em 1969, da produção cinematográfica da obra de Jorge Amado, Capitães de Areia, e cartão postal da nossa capital.

Sobre o carrossel do Tobias, assim se pronunciou o saudoso vereador Milton Santos: “Muito se tem falado em turismo, patrimônio histórico, divulgação do folclore, etc., entretanto, não se compreende que, sendo o Carrossel do Tobias” o único existente no mundo, construído na América do Norte no século XIX, e tendo chegado à Aracaju em 1904, portanto, a mais de três quartos de séculos, jamais tenha sido alvo por parte dos órgãos destinados a preservarem e divulgarem o nosso patrimônio histórico, embora o Carrossel do Tobias tenha sido o concentrador de atenções e o maior proporcionador de inocentes alegrias a milhares e milhares de  crianças de várias gerações”.

Essas justas palavras não repercutiram nas mentes dos gestores responsáveis pela memória social e patrimônio cultural sergipano. Adquirido posteriormente pelo Governo do Estado, o carrossel teve seus últimos dias de glória a girar no Parque da Cidade. Sem o amor e a dedicação do seu ex-dono, foi abandonado em um galpão úmido, o que provocou sua completa deterioração. Um final sem o brilho e sem luzes, tão próprios dos tempos de Natal.

Carlos Braz Carlos Braz

Carlos Braz é sergipano, natural de Aracaju. Tem 61 anos ,é Bacharel em Museologia, formado pela UFS, e acadêmico de Licenciatura em História também na UFS. É membro da Associação Sergipana de Imprensa (ASI), já publicou artigos e contos no semanário Cinform, e foi autor dos projetos expositivos ” Cangaço: por dentro do emborná e na ponta do punhá” (Museu Histórico de Sergipe), “Folguedos de Sergipe: conhecer, valorizar e preservar” (Museu Histórico de Sergipe e Museu Afrobrasileiro de Sergipe), “Moedas e cédulas brasileiras: a história na palma da mão”(Museu Histórico de Sergipe),” Vida e obra de Luiz Antonio Barreto” (Palácio Museu Olímpio Campos), e mentor do projeto Afrodescendencia e cidadania.


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4 Comentários até agora.

  1. Luciene Bezerra dos Santos disse:

    Menino eu me lembro, anos 70,eu era feliz e sabia.Mãe p reparava nossos tão sonhado vestidos de chita de bolinhas.Eu minhas irmãs contentes era o natal mais feliz que o menino Jesus nos conduzia, A missa do. Galo , enquanto a esperávamos, disputávamos o mais lindo cavalo do Carroces do Tobias eu nem sempre conseguia andava nas charretes ou nos patinhos mas mesmo assim era feliz pois o natal era tão lindo e as bolonas coloridas de assopros ia para casa com meu balão sorrindo com o encanto do simplesmente ser.Natal do Menino Jesus

  2. Luciene Bezerra dos Santos disse:

    Ok

  3. George Prata disse:

    Legal Braz.Vivenciei esse período no parque Teófilo Dantas,época da minha adolescência.
    Parabéns pelo belo texto.


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