Curiosidades literárias sobre Jorge Amado e Gilberto Freyre

Postado em - 7 de março de 2019 - 0:53 - Sem Comentários

 

Curiosidades literárias sobre Jorge Amado e Gilberto Freyre

Por Carlos Braz

 

Os grandes personagens da história literária no Brasil nem sempre são geniais. Como pessoas comuns adotaram em alguns momentos das suas vidas posições que posteriormente se mostraram equivocadas. Contudo, ao se tornarem ícones culturais suas imagens recebem uma camada de fino verniz que encobre suas biografias, omitindo fatos que podem ser considerados politicamente incorretos. Alguns, como o baiano Jorge Amado, reconhecem os erros cometidos. Outros, no entanto, não dão o braço a torcer e permanecem em suas posições até o final de seus dias. 

Comunista convicto e declarado desde jovem, militante desde quando cursou Direito no Rio de Janeiro, Amado não poupava palavras para defender um dos maiores tiranos do século XX, o russo Josef Stalin, responsável direto por milhões de assassinatos de opositores ao seu regime, aí incluído diversos escritores, cientistas, artistas e intelectuais da mais alta estirpe.

Como não podia deixar de ser, suas preferencias no campo da política também foram impressas nas páginas de alguns dos seus livros, entre eles “O mundo da Paz”, escrito em 1951. O déspota soviético, na ótica de Jorge, era visto como um “sábio dirigente dos povos do mundo na luta pela felicidade do homem sobre a Terra”.

Ao escrever suas memórias o soteropolitano admitiu ter fechado os olhos para as barbáries cometidas pelo carrasco russo.

Também não hesitou, conforme comprovam pesquisas históricas, em fazer propaganda do nazismo implantado por Adolf Hitler na Alemanha.  O fato ocorreu quando foi redator da página de cultura do Meio Dia, órgão de imprensa à serviço da propaganda germânica. Como jornalista recebia honorários pelo seu trabalho, e tentou, sem sucesso, cooptar outros intelectuais a seguirem seus passos.

Outro expoente da intelectualidade nacional, o pernambucano Gilberto Freyre também carrega no seu currículo posições polêmicas. É autor do clássico antropológico Casa Grande & Senzala, publicado em 1931, onde construiu uma tese açucarada sobre a escravidão brasileira,  também  reconhecido como difusor do conceito de democracia racial.

Contudo, Freyre possuía antecedentes discriminatórios e racistas, já que em momento anterior à publicação de sua obra maior, defendeu publicamente os ideais eugênicos de branqueamento do povo brasileiro, inclusive elogiando as medidas de purificação étnica aplicadas na Argentina.

Ainda em 1922, apresentou sua dissertação de mestrado na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos da América, intitulada “Vida Social no Brasil nos meados do século 19”. Nela faz referencias positivas à famigerada Ku-Klux-Klan, associação americana especializada no assassinato de afrodescendentes.

Já em artigo publicado na imprensa pernambucana em 1925, denunciava a existência de regiões do Brasil “contaminadas pelo sangue negro”. 

Em 1964, republicou seu trabalho acadêmico, eliminando as citações positivas em relação à KKK. Filho da elite aristocrática e escravocrata do nordeste brasileiro, as colocações de Gilberto Freyre calaram fundo nos movimentos negros brasileiros, que o consideram desde então como um defensor da discriminação racial.  

 

 

 

 

Carlos Braz Carlos Braz – Carlos Braz é sergipano, natural de Aracaju. Tem 61 anos ,é Bacharel em Museologia, formado pela UFS, e acadêmico de Licenciatura em História também na UFS. É membro da Associação Sergipana de Imprensa (ASI), já publicou artigos e contos no semanário Cinform, e foi autor dos projetos expositivos " Cangaço: por dentro do emborná e na ponta do punhá" (Museu Histórico de Sergipe), "Folguedos de Sergipe: conhecer, valorizar e preservar" (Museu Histórico de Sergipe e Museu Afrobrasileiro de Sergipe), "Moedas e cédulas brasileiras: a história na palma da mão"(Museu Histórico de Sergipe)," Vida e obra de Luiz Antonio Barreto" (Palácio Museu Olímpio Campos), e mentor do projeto Afrodescendencia e cidadania.
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