Administração do seu dinheiro: como e quando investir?

Postado em - 19 de março de 2019 - 14:29 - Sem Comentários

Com certeza, você já deve ter pensado em investir ou poupar dinheiro. Mas aí, vem a pergunta: como e por onde começar?

Os investimentos são a melhor forma de fazer o seu dinheiro crescer e construir um patrimônio. No mercado financeiro, você encontra diversos ativos, cada um com finalidades diferentes.

É importante saber que existem diversas opções de aplicações, até mesmo para quem quer investir pouco dinheiro. O mercado está repleto de oportunidades para lucrar.

Em 2019, há perspectivas positivas para o Brasil. Então, este pode ser o melhor momento para começar a fazer o seu dinheiro trabalhar para você.

O consultor financeiro Gustavo Marcellino dá dicas de como gerenciar seu dinheiro para fazê-lo render. Segundo ele, se o objeto for uma aplicação que pode ter rendimentos superiores aos da poupança, chegou a hora de conhecer melhor os fundos de investimento. “Muitas pessoas não sabem por onde começar, ou até o que é um fundo de investimento, ou ainda acham que precisa de muito dinheiro para iniciar”, diz.

Segundo o especialista, é fácil descobrir que renda variável, por exemplo, não é apenas para investidores com perfil arrojado e que o caminho é diversificar. No entanto, algumas questões são essenciais para o sucesso dos investimentos:

– O que são investimentos financeiros?

– Quais são os tipos de investimentos disponíveis no mercado?

– Quais são os riscos associados aos investimentos?

– Qual é o seu perfil de investidor?

Para sanar essas dúvidas, o consultor conversou com o Conselho Federal de Administração (CFA) sobre fundos de investimentos.

O que é fundo de investimento?

Um fundo de investimento é formado por um grupo de investidores, chamados de cotistas. Imagine como se fosse um condomínio, no qual cada dono de cota seria um condômino. “Com o dinheiro de todos os cotistas, o fundo investe em ativos do mercado financeiro, buscando a melhor rentabilidade. Depois, o resultado ao longo do tempo será dividido entre os investidores, proporcionalmente ao que cada um aplicou”, explica Marcellino.

Há vários tipos de fundo, classificados de acordo com as características dos ativos nos quais são aplicados os investimentos (renda fixa, multimercado, de ações, entre outros). Cada fundo tem suas regras, que definem, por exemplo, em quais ativos o dinheiro será aplicado, suas estratégias, suas metas, taxas de administração e demais especificações.

Qual é a vantagem de um fundo de investimento?

Para o consultor financeiro, são várias as vantagens que um fundo de investimento pode oferecer. A principal delas é que os fundos têm um gestor, um especialista preparado que trabalha todos os dias para buscar os investimentos mais interessantes, de acordo com a política de investimento do fundo. “Você coloca o dinheiro lá e sabe que o gestor usará toda a sua qualificação para alcançar a melhor rentabilidade possível”, declara.

“O trabalho dos gestores é de muita responsabilidade. Eles estão constantemente em busca dos melhores investimentos para o fundo. O gestor fica de olho diariamente nos indicadores do cenário econômico, como taxa de juros, câmbio, bolsa de valores. E é ele quem faz os ajustes necessários no fundo”, explica Macerllino.

Mais do que a poupança

O trabalho do gestor visa uma rentabilidade maior do fundo, em comparação a outras aplicações, como a poupança.

Nos últimos três anos, a poupança rendeu, em média, 7,89% ao ano. Os fundos de renda fixa (mais conservadores) renderam, em média, 12,38% no mesmo período. Ou seja, se você tivesse aplicado R$ 5 mil na poupança três anos atrás, hoje teria R$ 6.279,33. Num fundo de renda fixa, calculando pela média, teria R$ 6.741,94 líquidos. Essa diferença vem atraindo interessados.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) registram que o valor investido em fundos saltou de R$ 1,8 trilhão em 2006 para R$ 3,5 trilhões em 2016.

Exemplo de quem aplica

A possibilidade de ganhar mais atraiu Marcos Paulo Felix, de Brasília. Há um ano, ele passou a investir em fundos de renda fixa, considerados os mais conservadores do mercado. “Eu comecei a ler bastante sobre o assunto, conversar com amigos e percebi que estava perdendo dinheiro na poupança”, diz Marcos.

A administradora Silvana Ribeiro, do Rio de Janeiro, tem um perfil moderado, mas a caminho de ser um investidor arrojado. Ela também virou cotista de fundos ao analisar os ganhos. “Estou em um fundo que, nos últimos três anos, teve rentabilidade entre 20% e 25% ao ano. Isso não significa ganhos futuros, mas é um bom indicativo do trabalho do gestor. Os gestores dos fundos olham todos os dias os investimentos. Eu não. Não posso achar que eu sei mais do que eles”, diz Silvana, que investe nos fundos multimercados, aplicações que combinam os mais variados ativos, incluindo ações e câmbio.

O que são investimentos financeiros?

Os investimentos são produtos emitidos pelas instituições financeiras, empresas ou pelo próprio governo com o objetivo de captar recursos de forma mais barata que os empréstimos bancários.

Em troca, eles oferecem uma taxa de rentabilidade ou benefícios, como se tornar sócio do negócio e recebimento de proventos.

Assim, os investimentos podem ser interpretados como produtos para fazer o seu dinheiro render e ainda auxiliar no desenvolvimento de setores da economia ou empresas.

Como e por onde começar a investir?

Começar a investir é um marco na vida de qualquer pessoa. Nesse momento, você deixa de apenas poupar para ver o seu dinheiro crescer.

Se você quer dar este novo passo e atingir os seus objetivos, a primeira coisa a ser feita é obter conhecimento. Tenha em mente que, quanto mais informações você tiver, melhores serão as suas decisões. Livros e filmes são boas fontes de conhecimento, pois trazem vários exemplos práticos e histórias reais.  Depois de obter conhecimento, basta procurar uma corretora de valores.

Características e como funcionam os investimentos de renda fixa

Os investimentos de renda fixa se subdividem em títulos públicos e privados. Conheça mais sobre cada um deles:

Tesouro Direto

Este é um título público. Basicamente, o governo faz a emissão com o objetivo de arrecadar recursos para áreas como saúde, educação e infraestrutura. Em troca, você recebe uma taxa de rendimento que funciona conforme os tipos de papéis que, por sua vez, podem ser:

Prefixados: Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais

Atrelados à inflação: Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais

Indexado à taxa Selic: Tesouro Selic

O título prefixado tem taxa de rendimento fixa (por exemplo, 9% ao ano). No momento da compra, você sabe exatamente o quanto vai receber na data do vencimento. Ele pode ser uma boa alternativa se você acredita que os juros da economia vão cair ainda mais.

Outra finalidade do prefixado é investir com o objetivo de resgatar um determinado valor no futuro; por exemplo, poupar R$ 40 mil para comprar um carro daqui a três anos. O título atrelado à inflação costuma ser indicado para quem quer proteger o patrimônio da inflação e manter o poder de compra no futuro.

Como ele possui uma taxa de rentabilidade fixa mais a variação do IPCA, você recebe ganhos reais sobre esse indexador; ou seja, o seu dinheiro se valoriza com o tempo. Por fim, temos o Tesouro Selic. Este ativo costuma ser recomendado para todas as carteiras, pois o seu crescimento é sempre positivo. Além disso, ele é o mais estável, isto é, tem baixa volatilidade. Então, o resgate pode ser realizado a qualquer momento sem grandes perdas.

Por conta disso, o Tesouro Selic pode ser adaptado aos objetivos de curto, médio e longo prazos.

  1. CDB

O Certificado de Depósito Bancário é o investimento mais conhecido da renda fixa. A sua emissão é feita pelos bancos. A taxa de rentabilidade pode ser calculada de duas formas: prefixada ou pós-fixada.

A primeira é uma taxa fixa, como a do Tesouro Direto, enquanto que a pós-fixada é atrelada a um indexador da economia, como o CDI ou o IPCA. Basicamente, o emissor paga um percentual do indicador, por exemplo, 130% do CDI ao ano. Como esses índices estão sujeitos a variações ao longo do tempo, os rendimentos seguem a mesma trajetória. Assim, você só tem uma previsão de quanto o seu dinheiro vai render até a data do vencimento. De forma geral, se o indexador subir, os retornos dos investimentos pós-fixados aumentam e vice-versa.

O CDB pode ser uma boa alternativa se você quer investir no médio e longo prazos e obter rendimentos atrativos.

  1. LCI e LCA

A Letra de Crédito Imobiliária e a Letra de Crédito do Agronegócio são investimentos semelhantes ao CDB. Porém, o foco da captação é voltado para os setores imobiliário e do agronegócio. Assim, elas costumam ser recomendadas para a diversificação do portfólio.

Uma das maiores vantagens que esses títulos promovem é a isenção de taxas. O investimento tem custo zero e os rendimentos vão direto para o seu bolso. Com os juros baixos, a LCI e a LCA podem trazer retornos maiores que os demais investimentos da categoria.

  1. Letra de Câmbio

A Letra de Câmbio funciona da mesma forma que o CDB. A diferença está na emissão, que é feita pelas financeiras. Como essas instituições costumam ter porte menor que os bancos e lidam com riscos maiores, as taxas de rentabilidade tendem a ser mais altas.

  1. Debêntures

Nos últimos dois anos, esse título tem chamado a atenção dos investidores. Com a queda dos juros, muitos têm recorrido a investimentos mais arriscados em troca de rendimentos maiores.

De acordo com a ANBIMA, a emissão de debêntures fechou 2018 com R$ 140 bilhões, que marcou um recorde na série histórica desde 2002. O principal destaque deste montante foram as debêntures incentivadas. Elas movimentaram cerca de R$ 23,6 bilhões, o que representou um aumento de 160% em um ano.

As debêntures são emitidas pelas empresas. Por isso, a taxa de rentabilidade da debênture costuma ser maior em relação aos outros investimentos da renda fixa.

Um outro fator atrativo é a possibilidade de investir sem pagar taxas, como ocorre nas debêntures incentivadas. Elas são originadas de companhias ligadas a setores estratégicos, como infraestrutura e produção de energia. Então, se você busca alta rentabilidade e isenção de impostos, elas podem ser bons investimentos.

Por: CFA (Conselho Federal de Administração)

Deixe seu comentário!

Para: Administração do seu dinheiro: como e quando investir?


Siga-nos!