A quarta revolução e a nossa educação

Postado em - 5 de dezembro de 2018 - 21:59 - Sem Comentários

Um dia desses ao transitar pela Rua Santa Luzia chamou-me a atenção um painel com a denominação da secretaria de Estado, estampado em frente ao prédio onde tradicionalmente funcionaram as secretarias do Trabalho e da Inclusão Social. Parece que resolveram economizar no aluguel juntando alguns órgãos na atual Secretaria de Estado da Mulher, da Inclusão, Assistência Social, do Trabalho e dos Direitos Humanos. Lembrei-me dos tempos em que por força de compromissos de trabalho, freqüentava a então Secretaria do Trabalho e onde acostumei e ver como normal as interinidades dos ocupantes de cargos diretivos e a rotatividade dos secretários do Trabalho, que por falta de orçamento e de projetos, nada podiam efetivamente entregar à sociedade.

Francamente, nunca encontrei uma razão objetiva que justificasse a necessidade da Secretaria do Trabalho. Há muito anos a iniciativa privada cuida da logística de capacitações voltadas para atender ao mercado de trabalho, fato que foi acentuado a partir de 2011, com o advento do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que em Sergipe passou a ser executado com eficiência através das prefeituras e o apoio logístico e administrativo de entidades do sistema nacional de aprendizagem.

Quanto ao Núcleo de Apoio ao Trabalhador – NAT, apensado àquela Secretaria, poderia também ser extinto em razão da existência da Fundat, órgão municipal mais bem estruturado e que poderia ser ampliado através de convênio com o Estado, Jucese, Sebrae e Fames, para realização das mesmas atividades de cadastro, seleção e colocação de pessoal no mercado de trabalho, agregando também o foco no crédito e apoio técnico ao empreendedorismo. O passo seguinte seria devolver para a Delegacia Regional do Trabalho e Emprego – DRTE, as atividades transferidas para o Estado, hoje realizadas pelo NAT-CEACS, e que são da competência e responsabilidade da referida Delegacia: emissão de Carteira de Trabalho e requerimento de Seguro de Desemprego.

O mercado de trabalho tem passado por transformações importantes em função dos avanços na legislação trabalhista, da perda de poder dos sindicatos e de novas formas de relacionamento e vínculos entre patrões e empregados.  As inovações tecnológicas, avanços nos meios de comunicação, mudanças demográficas e aumento das expectativas dos talentos, além de novas demandas, adequações e exigências do mercado e da sociedade, impactam cada vez mais no avanço e sobrevivência das organizações.  As empresas tradicionais como nos acostumados a ver, vêm perdendo espaço para empresas que há bem pouco tempo nem existiam, dotadas de muita tecnologia e com grande capacidade de adaptação a mudanças. Essa tendência é irreversível e sinalizam para o declínio dos empregos

Business person pushing symbols on a touch screen interface

estáveis, duradouros e de tempo integral.

Agora se avizinha a chamada “Quarta Revolução Industrial” que promete ser muito mais avassaladora que as revoluções anteriores, baseada na computação em nuvem, internet das coisas, big data, robótica, e outras tecnologias que substituirão milhões de vagas de trabalho tradicionais, que ainda ocupamos por estarmos com um grande delay tecnológico, que acaba garantindo sobrevida ao imenso contingente de trabalhadores que realizam atividades cada vez mais raras em países do hemisfério norte.

Atualmente o mercado de trabalho exige competências e características comportamentais que estão longe de serem disseminadas entre os milhões de novos profissionais que as academias e escolas de nosso país entregam ao mercado anualmente. Essas mudanças necessitam ser absorvidas por todos que almejam ter sucesso nesse novo cenário de incertezas. Podemos até fazer um paralelo com a teoria da evolução de Darwin, na qual sobrevivem aqueles que conseguem se adaptar e se ajustar às contínuas mudanças e desafios dessa nova configuração do mercado de trabalho.

Nesse contexto, o recém eleito governador de Sergipe terá a partir de 2019, a árdua missão de realizar uma profunda reformulação do modelo na educação praticado pelo Estado, com o objetivo de reverter os péssimos indicadores de nossa educação básica, que teimosamente persistem em se manter dentre os piores do País. Sem uma preparação adequada, os jovens sergipanos ficam cada vez mais distantes de terem espaço nesse mercado de trabalho cada vez mais competitivo e seletivo.  Há muito a ser feito para a formação de cidadãos capazes de se estabelecerem por aqui mesmo, adquirindo as competências mínimas requeridas pelo mercado.

É fundamental melhorar a qualidade do ensino proporcionado aos nossos jovens, só  existe este caminho para que esses egressos do ensino médio tenham oportunidade de  evoluir numa carreira profissional ou empreender em algum negócio próprio.  Cuidar com afinco da educação de base deve ser a prioridade do novo Governo, por representar fator determinante para a construção de uma nova economia, capaz de inserir Sergipe nessa quarta revolução industrial e na indústria 4.0.

Márcio Monteiro

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